Religião e Deus

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religion_dm_500Quantos são os caminhos para encontrar Deus? De quantas estradas é feito o nosso trilhar para entender as coisas de Deus? Quais são os caminhares que nos levam a Deus?  Não houve na História da Humanidade cultura alguma que não tivesse nos seus valores o entendimento de Deus. continuar lendo…

Religião e Deus

Quantos são os caminhos para encontrar Deus? De quantas estradas é feito o nosso trilhar para entender as coisas de Deus? Quais são os caminhares que nos levam a Deus?
Não houve na História da Humanidade cultura alguma que não tivesse nos seus valores o entendimento de Deus.
As formas de interpretação da Divindade variaram às centenas, porém, nenhum povo houve que negasse a existência de uma força maior a comandar os desígnios do Universo.
Assim, crer na existência de Deus transcende o aspecto cultural e se insere na essência do sentimento humano de que existe um Criador a gerar a vida, do macro ao microcosmo.
E, ao longo da História, vários foram os ensaios para se explicar e entender Deus.
Seja o Deus castigo e vingança das civilizações antigas, ou o Deus concebido em forma humana, como nas mitologias greco-romanas, ou ainda o Deus natureza dos celtas, sempre foram tentativas do homem de entender Deus.
E hoje, como entendemos Deus?
Provavelmente as suas respostas e explicações acerca da Divindade estão pautadas em uma explicação doutrinária ou religiosa.
E é exatamente para isso que as religiões se estruturam: para nos ajudar a redescobrir Deus, Suas leis, Seus desígnios e para Ele nos voltarmos.
Desta forma, podemos entender a religião não como um fim e sim um meio. O meio que encontramos para entender Deus e tê-lO na nossa vida diária.
E, sendo a religião o meio que usamos para reencontrar Deus, é natural que cada um de nós tenha necessidade de um caminho que seja coerente e próprio em relação ao seu amadurecimento emocional, seus valores e conceitos.
Por isso, cada um de nós escolhe essa ou aquela escola religiosa, esse ou aquele caminho para chegar a Deus.
Porém, para Deus, todos os caminhos que levem a Ele são dignos de respeito. Toda doutrina, toda religião que nos torne melhores, é válida.
Além disso, devemos lembrar que a religião por si só não basta em nossa vida. Como também, para sermos pessoas de bem, a religião não é imprescindível.
Há inúmeras pessoas que, sem professarem nenhuma religião, têm uma vida de respeito ao próximo, de conduta ilibada, de retidão de caráter inquestionável.
E outras, apegadas a essa ou aquela escola religiosa, se mostram só preocupadas com a externalidade da religião, cuidando muito pouco do seu mundo íntimo.
Se a religião que escolhemos nos faz pessoas melhores, nos ajuda a entender as leis de Deus, a nos entender e a entender ao próximo, essa é a melhor religião para nós.
Porém, se ainda nos vinculamos a uma religião, preocupados com o que os outros estão vendo ou pensando, somente para satisfazer vaidades ou expectativas nossas ou de outros, há que se repensar como estamos construindo nossa relação com Deus.
O mais significativo para nós deve ser perceber que a religião que adotamos é o meio que encontramos de construir a religiosidade em nós, do entendimento de Deus, respeitando o próximo nos caminhos que ele escolher para compreender Deus e trazê-lO para dentro de si.

Redação do Momento Espírita. Em 12.1.2016.

Felicidade a prestação – Adeison Salles

Lá não é melhor que aqui. Quando o seu lá se tornar aqui, você simplesmente encontrará outro lá que parecerá novamente, melhor que aqui.
Nunca estamos satisfeitos com a vida, acreditamos que as coisas devem acontecer sempre da maneira que desejamos.
A vida na Terra é um constante aprendizado e o segredo é saber lidar com as diferenças.
A busca da felicidade fora de si trás terríveis frustrações ao homem moderno.
Temos assistido casos muito tristes, pessoas que buscam a beleza ideal, esquecendo-se que o corpo também está sujeito a lei da gravidade, lei essa que se acentua à medida que os anos passam.
Tenta-se manter o corpo jovem, quando muitas vezes a mente está envelhecida.
Assistimos recentemente o vocalista de um conjunto de música jovem, ficar em coma por vários dias, pois sofrera um choque alérgico após passar por uma lipoaspiração. Será que exercícios físicos, não teriam ajudado esse cantor?
O que está acontecendo?
Qual é o padrão de beleza ideal? Por que as pessoas não se aceitam como são?
É mais fácil fazer lipoaspiração do que educar a boca?
Outro dia assisti a um programa de televisão onde um cirurgião plástico, apresentava planos promocionais para se reformar o corpo.
Tenha um nariz perfeito em doze vezes, e seja feliz.
Se você fizer nariz, e engrossar os lábios, daremos um desconto especial.
A mulher hoje em dia sai de casa com cara maracujá, e volta como clone da Juliana Paez.
Consulte nossos preços. A felicidade está ao seu alcance. Aceitamos cartão de crédito.
Quem não emagrece com essas loucuras é a conta bancária do cirurgião, cada vez mais obesa com os delírios alheios.
Zelar pela saúde é muito bom, mas querer mudar o que a natureza nos concedeu é preocupante.
Existem pessoas que já fizeram tantas plásticas que andam dormindo de olhos abertos, pois estão esticadas demais. Outras estão soltando pum pela nuca.
A natureza é muito sábia, todos nascemos, envelhecemos e morremos.
A angústia que se experimenta, por não se aceitar as leis naturais deve ser muito grande.
Mais uma vez podemos afirmar, os valores estão invertidos.
Não adianta mudar o exterior, a casca vai murchar.
A essência, o Espírito é que precisa renovar-se, pois é no próprio ser que podemos encontrar a felicidade.
Não adianta chegar lá, pois ao chegar continuaremos a nos sentir ainda aqui.
Morar em Guarujá, Londres ou New York, não faz diferença, pois a vida tem a cor que damos a ela.
Quem não dá valor a vida aqui, não irá valorizá-la lá.
A felicidade não está geograficamente localizada.

A felicidade não está na aquisição de bens materiais.
A felicidade é um jeito de caminhar no mundo, aceitando as diferenças.
O dia que entendermos isso, tanto faz estar lá ou aqui, a felicidade estará dentro de cada um.

A União Faz a Diferença

Houve uma reunião em uma marcenaria, onde as ferramentas se juntaram para acertar suas diferenças. O martelo estava exercendo a presidência, mas os participantes o notificaram que ele teria que renunciar. A causa? Fazia barulho demais e, além disso, passava o tempo todo golpeando.

O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir atingir os objetivos. Diante do ataque o parafuso concordou, mas por sua vez pediu a expulsão da lixa. Dizia que ela era muito áspera no tratamento com os demais, entrando sempre em atritos.

A lixa acatou, com a condição de que se expulsasse também o metro, que sempre media os outros segundo a sua medida, como se ele fosse o único perfeito. Nesse momento entrou o marceneiro, juntou todos e iniciou o seu trabalho.

Utilizou o martelo, a lixa, o metro e o parafuso. Finalmente, a rústica madeira se converteu em um fino móvel. Quando a marcenaria ficou novamente sem ninguém, a assembleia recomeçou a discussão. Foi então que o serrote tomou a palavra e disse:

– Senhores, ficou demonstrado que todos temos defeitos, mas o marceneiro trabalha com nossas qualidades, ressaltando nossos pontos valiosos. Assim, não pensemos mais em nossos pontos fracos e concentremo-nos em nossos pontos fortes.

Então a assembleia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava força, a lixa era especial para limpar e afinar asperezas e o metro era preciso e exato. Então se sentiram como uma equipe capaz de produzir belos móveis da mais alta qualidade e uma grande alegria tomou conta de todos pela oportunidade de trabalhar juntos.

O mesmo ocorre com os seres humanos. Basta observar. Quando uma pessoa busca defeitos em outra, a situação fica tensa e negativa. Ao contrário, quando se buscam com sinceridade os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas humanas. É fácil encontrar defeitos, qualquer um pode fazê-lo. Mas encontrar qualidades, isso é para os sábios!

Glória do Natal

Senhor – rei divino projetado às sombras da manjedoura -, diante do teu berço de palha recordo-me de todos os conquistadores que te antecederam na Terra. Em rápida digressão, vejo Sesóstris, em seu carro triunfal, pisando escravos e vencidos, em nome do Egito sábio, e Cambises, rei dos persas, ocupando o vale do Nilo, antes poderoso e dominador. Reparo as lutas sanguinolentas dos assírios, disputando a hegemonia do seu império dividido e infeliz. Nabopolassar e Nabucodonosor reaparecem à minha frente, arrasando Nínive e atacando Jerusalém, cercados de súditos a se banquetearem sobre presas misérrimas para desaparecerem, depois, num sudário de cinza. Não observo, contudo, apenas o gentio, na pilhagem e na discórdia, expandindo a própria ambição; o povo escolhido, apesar dos desígnos celestes que lhes fulguram na lei, entrega-se, de quando em quando, à sementeira de miséria e ruína; revoluções e conflitos ceifam as doze tribos e orgulho desvairado compele irmãos ao extermínio de irmãos. Revejo os medas, açoitados pelos cimerianos e citas. Dario surge, ao meu olhar assombrado, envolvido nos esplendores de Persépolis para mergulhar-se, em seguida, nos labirintos do túmulo. Esparta e Atenas, entre códigos e espadas, se estraçalham mutuamente, no impulso de predomínio; numerosos tiranos dentro de seus muros, manobram o centro da governança, fomentando a humilhação e o luto. Alexandre, à maneira de privilegiado, passa esmagando cidades e multidões, deixando um cortejo de lágrimas, atrás da fanfarra guerreira que lhe abre caminho à morte, em plena mocidade. E os romanos, Senhor? Desde as alucinações dos descendentes de Príamo ao último dos imperadores, deposto por Odoacro, jamais esconderam a vocação do poder, arrojando povos livres ao despenhadeiro da destruição… Todos os conquistadores vieram e dominaram, surgindo na condição de pirilampos barulhentos, confundidos, à pressa, num turbilhão de desencanto e poeira, mas Tu, Soberano Senhor, te contentaste com o berço da estrebaria! Ministros e sábios não te contemplaram, na hora primeira, mas humildes pastores ajoelharam, sorridentes, diante de Ti, buscando a luz de teus olhos angelicais… Hinos de guerra não se fizeram ouvir à tua chegada libertadora; todavia, em sinal de reconhecimento, cânticos abençoados de louvor subiram ao Céu, dos corações singelos que te exaltavam a Estrela Gloriosa, a resplandecer nos constelados caminhos. Os outros, Senhor, conquistaram à custa de punhal e veneno, perseguição e força, usando exércitos e prisões, assassínio e tortura, traição e vingança, aviltamento e escravidão, títulos fantasiosos e arcas de ouro… Tu, entretanto, perdoando e amando, levantando e curando, modificaste a obra de todos os déspotas e legisladores que procediam do Egito e da Assíria, da Judéia e da Fenícia, da Grécia e de Roma, renovando o mundo inteiro. Não mobilizaste soldados, mas ensinaste a um punhado de homens valorosos a luminosa ciência do sacrifício e do amor. Não argumentaste com os reis e com os filósofos; no entanto, conversaste fraternalmente com algumas crianças e mulheres humildes, semeando a compreensão superior da vida no coração popular… E por fim, Mestre, longe de escolheres um trono de púrpura a fim de administrares o Reino Divino de que te fizeste embaixador e ordenador, preferiste o sólio da cruz, de cujos braços duros e tristes ainda nos endereças compassivo olhar, convidando-nos à caridade e à harmonia, ao entendimento e ao perdão… Conquistador das almas e governador do mundo, agora que os teus tutelados afiam as armas para novos duelos sangrentos, neste século de esplendores e trevas, de renovação e morticínio, de esperanças e desilusões, ajuda-nos a dobrar a cerviz orgulhosa, diante do teu berço de palha singela!… Mestre da Verdade e do Bem, da Humildade e do Amor, permite que o astro sublime de teu Natal brilhe, ainda, na noite de nossas almas e estende-nos caridosas mãos para que nos livremos de velhas feridas, marchando ao teu encontro na verdadeira senda da redenção.

LIVRO ANTOLOGIA MEDIÙNICA DO NATAL – Psicografia: Francisco Cândido Xavier.

Glória do Natal

mangedoura1Senhor – rei divino projetado às sombras da manjedoura -, diante do teu berço de palha recordo-me de todos os conquistadores que te antecederam na Terra. Em rápida digressão, vejo Sesóstris, em seu carro triunfal, pisando escravos e vencidos, em nome do Egito sábio, e Cambises, rei dos persas, ocupando o vale do Nilo, antes poderoso e dominador… continuar lendo

Oswaldo Cruz – Um sonho que se realizou – 54 Anos

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Por Carlos da Gama Campos.

Para os espíritas, especialmente os vinculados ao Grupo da Fraternidade Espírita Oswaldo Cruz, Outubro é sempre um mês em que somos convidados a refletir sobre dois eventos de grande significação para nós, que acreditamos na existência, sobrevivência e comunicabilidade dos Espíritos.

Foi no dia 3 de Outubro de 1804 que nasceu, em Lião, na França, o Sr. Hyppolyte Léon Denizard Rivail, mundialmente conhecido pelo pseudônimo de Allan Kardec. E foi no dia 26 de Outubro de 1959 que, em reunião de materialização em Belo Horizonte, o Grupo da Fraternidade Oswaldo Cruz foi fundado pela Espiritualidade.

O tempo passou, a história não escrita da nossa Casa Espírita ficou restrita a poucas pessoas, e algumas recordações preciosas precisam ser guardadas para que permaneçam imorredouramente na memória dos mais jovens.

Mas, para sermos justos, não só os fatos, mas também alguns nomes precisam ser lembrados: Daniel Pinto dos Santos, Maria de Lourdes Rocha, Aldir Antunes Rabello e Manoelina Gonçalves Pires compunham a primeira Diretoria. E o Primeiro Conselho Superior foi composto por Hélio Muller, Sylvio José Karl e Moysés Pereira Rabello.

As atividades caminharam com as dificuldades naturais de toda Instituição Espírita iniciante. Vamos registrar então, por falta de espaço, apenas alguns fatos marcantes na vida do Grupo. As reuniões começaram na UMEP e depois na residência de um dos fundadores do Grupo.

Como afirmamos acima, o Grupo Oswaldo Cruz foi fundado em 26 de Outubro de 1959. Por volta de Setembro de 1961, portanto com apenas dois anos de existência, os componentes do Grupo passaram a se reunir em uma sala dentro do Cinema Esperanto.

O Cinema Esperanto era de propriedade do Sr. José Varanda, espírita convicto, que foi um grande benemérito do Grupo Oswaldo Cruz. O Cinema Esperanto ficava na Rua Paulo Barbosa, 296, onde hoje existe um edifício de apartamentos, com lojas no térreo.

Mas, entrar na sala e assistir às reuniões era um procedimento realmente singular e inusitado… Como a sala cedida ao Grupo ficava dentro do Cinema, e as reuniões eram simultâneas, o ingresso se fazia pela bilheteria da instituição, sem pagar nada, obviamente. Bastava informar que queríamos participar de qualquer das reuniões do Grupo que o porteiro gentilmente abria a passagem… Dentro da sala, às vezes o orador tinha sua voz abafada pelo som de tiros do filme em exibição, razão pela qual as reuniões de efeitos físicos eram realizadas em outro local…

Uma data ficou marcada em nossas mentes: 18 de janeiro de 1969. Chico Xavier entrou inesperadamente, tomou passe e até fez a prece final! Concluída a reunião, depois de algum tempo de conversa, Chico tomou conhecimento de que o Grupo pretendia ter sua sede própria. Chico estimulou a todos, mas destacou, delicadamente como era de seu costume, que deveríamos “levar para a nova sede o ambiente que existia naquela pequena sala”.

O tempo correu célere, e em 1973 um grande terreno e uma modesta e antiga casa foram adquiridos onde hoje se situa a sede do Grupo. Claro que o pagamento foi dividido ao longo de muitos meses. Mas, noventa dias após assinarmos o compromisso de compra, a Livraria Espírita Oswaldo Cruz pegou fogo! Foi um duro teste, mas, esperançosos e com vontade firme, os componentes do Grupo aceitaram o desafio!

A casa adquirida pelo Grupo necessitava de reforma, que foram realizadas o mais rápido possível, e assim, em 15 de junho de 1974, foi inaugurada a sede social, modesta, mas profundamente acolhedora. O ambiente lembrava em muito a vibração existente na sala do Cinema Esperanto.

A certeza de que a divulgação da Doutrina Espírita deveria ser nossa principal preocupação fez com que a luta pela recuperação da Livraria Espírita Oswaldo Cruz se tornasse objetivo comum. Enquanto as obras para recuperação da Livraria avançavam, uma Banca foi colocada às portas do cinema Esperanto, ainda uma vez por oferta do Sr. José Varanda.

Com muita luta e determinação a Livraria foi reinaugurada no dia 24 de maio de 1975.

Como o Grupo crescia rapidamente, e o Espiritismo começava a se implantar com o respeito que hoje tem – e merece –, a necessidade de uma sede maior logo se implantou e se concretizou com uma obra de grande vulto. Assim, no dia 26 de Outubro de 1980 a nova Sede Social foi inaugurada, com a presença de muitos convidados, entre eles João Cabete.

Preocupado sempre com a divulgação da Doutrina, diversas vezes o Grupo Oswaldo Cruz trouxe a Petrópolis o internacionalmente conhecido Divaldo Pereira Franco, excepcional orador e médium baiano.

Como preito de gratidão não podemos deixar de citar a atuação de alguns de seus membros, hoje na espiritualidade: Alcione Ferreira Passos, Daniel Pinto dos Santos, Alcino José Franco, Jacyntho Cardoso Machado, entre outros, que já retornaram ao Mundo Espiritual.

Que as futuras gerações saibam honrar a memória daqueles que criaram materialmente o Grupo da Fraternidade Espírita Oswaldo Cruz, mantendo o lema seguido pelo seu Patrono: “Não esmorecer para não desmerecer”.

Calos da Gama Campos.

Veja a galeria de fotos em comemoração dos 54 anos do grupo: http://www.gfeoswaldocruz.com.br/wordpress/?cat=4

Quando o sono é inimigo

Transcrição do site: Fórum Espírita (vide rodapé)

O sono foi dado ao homem para a reparação de suas forças orgânicas, informa-nos Allan Kardec. Isso não quer dizer que estejamos a dormir a qualquer hora. Há momento próprio para o sono. Não se poderia imaginar alguém dormindo ou mesmo cochilando no exercício de seu trabalho profissional, cuidando de uma criança na escola, assistindo a uma aula ou dirigindo automóvel.

O sono à hora em que se impõe à vigília torna-se inimigo cruel, diz-nos o Espírito Viana de Carvalho, referindo-se à sonolência nas reuniões espíritas. Conseqüentemente, é estranhável que consideremos uma reunião espírita um acontecimento banal, a ponto de nela cochilar, julgando-a menos importante que nosso trabalho profissional ou uma aula a que assistamos num educandário do mundo, ocasiões em que normalmente permanecemos em vigília. Não se justifica, pois, entregar-se ao sono nos estudos, palestras, reuniões mediúnicas ou demais atividades na seara espírita.

Nós, encarnados, sempre procuramos, consciente ou inconscientemente, justificar atos, fato a que psicólogos chamam de racionalizar. E, para justificar o adormecimento no ambiente da casa Espírita, é comum ouvir-se o seguinte: 1) Estar cedendo fluidos para ajudar o orador; 2) Trata-se de desprendimento mediúnico para trabalhar em parcial desdobramento. 3) Terceiros alegam que em espírito aprendem melhor, adquirindo cabedal que retorna à consciência no momento próprio. São alegações “desculpistas”, sem fundamento, carente de lógica.

Viana de carvalho diz-nos textualmente o seguinte: Impostergável o esforço em combater a epidemia da sonolência nas atividades e estudos Doutrina Consoladora. É certo que o cansaço, o esgotamento físico, aliados à monotonia ou falta de motivação do orador podem, às vezes, dar origem à sonolência, representando isso, porém, a maioria das causas, funcionando, na realidade, mais como fatores predisponentes.

Na maioria dos casos, a origem do adormecimento nas reuniões espíritas reside na ação espiritual inferior, na interferência de mentes viciosas do Mundo Espiritual, operando magneticamente, predominantemente à distância, para que as pessoas, adormecendo, não se liguem ao tema edificante da reunião e assim não se beneficiem.

O mentor Aulus, respondendo a uma indagação de André Luiz sobre o assunto, informa-nos que as entidades inferiores operam nas reuniões com objetivo de “envolver” os desatentos em fluidos entorpecentes, conduzindo-os ao sono provocado, para que se lhes adie a renovação.

A explicação é ratificada pela irmã Zélia quando, participando de uma reunião, aponta para uma médium que cochilava e pergunta a Otília Gonçalves: Notas algo? Sim, está dormindo. Exatamente, o fenômeno aí chama-se “hipnose à distância”. Seu perseguidor ficou na retaguarda; no entanto, continua ligado ao pensamento, pela idéia. Portanto, isso nos esclarece que não há necessidade de os Espíritos entrarem na Casa Espírita para provocar sono nos assistentes. Em muitos casos (talvez maioria), eles atuam telepaticamente, de longe, o que a irmã Zélia cognomina Hipnose à distância.

O fenômeno reveste-se de maior gravidade quando o sono, ao invés de ser ocasional, ocorre habitualmente, o que pode caracterizar uma obsessão em curso. Nenhuma chance deve se dar ao sono, nos recintos de estudo e aprendizado, locais de meditação e prece, santuário de intercâmbio mediúnico e de iluminação interior. (Viana de Carvalho)

Eis porque o espírito Marco Prisco nos adverte a respeito: Se irrefreável torpor lhe domina a lucidez, quando convocado ao serviço do bem geral, observe o sinal vermelho de alarme chamando-lhe atenção. Pode ser cansaço, talvez seja sono mesmo. Se, porém, é habitual essa situação, ou você está doente de “narcolepsia” (sono incontrolável) ou insidiosa obsessão está assenhoreando-se de suas forças.

O fenômeno de adormecimento nas reuniões pode ser facilmente explicado pelo que se contém em “A Gênese”, onde Kardec nos instrui que os espíritos agem pelo pensamento sobre os fluidos, “dando-lhes propriedades especiais”, podendo ser “excitantes, calmantes, irritantes, dulcificantes, soporíficos (produz sono) narcóticos (que faz dormir)”. E prossegue esclarecendo que atuando os fluidos sobre o perispírito dos encarnados, este os assimila (como uma esponja se embebe de líquido) e, a seu turno, reage sobre o organismo material com que se acha em contato molecular.

Ora, as entidades adversárias do progresso, através da atuação mental, dão propriedades soporíferas, narcóticas, aos fluidos, e, com eles, tentam envolver os assistentes e demais participantes da reunião, sendo facilmente assimiláveis pelos que estão acomodados, enfadados (como se estivessem ali apenas fazendo um favor ou cumprindo um dever), indiferentes, desatentos muitas vezes totalmente desligados da atmosfera nobre do ambiente, mentalizando assuntos do dia-a-dia.

Com base na orientação dos Espíritos, damos algumas sugestões para evitar situações predisponentes ao adormecimento nas reuniões espíritas:

1) Se possível, ensejar-se a um “relax”, antes de dirigir-se à Casa Espírita, fazendo o devido refazimento do corpo e do espírito;
2) Antes de sair do lar, preparar-se interiormente, através de leitura salutar, prece e meditação, ligando a tomada para o Alto, retirando-se das vulgaridades do “terra-a-terra”;
3) Poupar-se à alimentação exagerada de difícil assimilação (estômago cheio, cérebro inábil);
4) Motivar-se para a reunião, conscientizando-se de que ela é um ato nobre, de doação espiritual e refazimento interior (pois é dando que se recebe), ao invés de encará-la como um encontro rotineiro, social ou como um dever ou obrigação enfadonha.
5) Se houver conversação antes de entrar na sala da reunião, esta deverá ser boa e edificante, de modo a auxiliar a psicosfera do recinto ao invés de conturbá-la com temas negativos: reprovações, críticas, anedotas, queixas, azedume, comentários de enfermidades, temas vulgares etc. (a absorção de fluidos perniciosos de psicosfera saturada negativamente também provoca sono);
6) Após a entrada na sala, se possível, manter-se em silêncio e recolhimento e, enquanto aguarda o início dos trabalhos, ler obra doutrinaria ou concentrar-se em ideações superiores;
7) Sentar-se bem, evitando situações de excessivo desmazelo, o que predispõe ao adormecimento;
8 ) Ligar-se ao tema exposto, dinamicamente, e não “arrastar-se mentalmente” ou “voar o pensamento”, fixando-se nas ocorrências do dia-a-dia;
9) Ante os primeiros sintomas do torpor, orar, renovando a paisagem psíquica.

Sugestões importantíssimas para aqueles que dormem habitualmente, nas reuniões espíritas. A luta contra o adormecimento nas atividades espíritas deve ser encarada seriamente, razão porque encerramos este artigo, lembrando a recomendação de Viana de Carvalho (espírito) sobre o assunto: Ou o candidato vence o sono ou o sono, desta ou daquela procedência, especialmente o produzido pelos espíritos inferiores, inutiliza o aprendiz das lições superiores.

Notas e referências:
(1) Mensagem de Viana de Carvalho, em Nova Lisboa, psicografada por Divaldo Franco, sob o título O sono inimigo.
(2) O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XXVI, item 38.
(3) Nos domínios da Mediunidade, de André Luiz, Cap. IV
(4) Além da morte, de Otília Gonçalves. Cap. XXVI.
(5) Sementeira da Fraternidade. Cap. 37.
(6) A Gênese. Cap. XIV.

Clique aqui para ler mais:
http://www.forumespirita.net/fe/meditacao-diaria/quando-o-sono-e-inimigo/#ixzz2gNlqgPzv

Fonte: Harmonia Espiritual

O Grão de Areia e a Montanha

texto0002Muita gente pensa que, por estar trabalhando na “seara do Senhor”, esteja livre de percalços e aflições e até mesmo possa resolver facilmente certos problemas de ordem puramente humana ou material. Nada disso. Primeiro, que o nosso trabalho, em favor de uma doutrina de recuperação moral como é o Espiritismo, é mais do que uma obrigação: constitui verdadeiro privilégio. Se estamos honestamente interessados em realizá-lo, se damos o melhor de nós mesmos por ele, se procuramos, enfim, melhorar o nosso irmão e a nós próprios, é porque já recebemos de mais Alto essa orientação sadia. É porque já nos encontramos no caminho certo e, portanto, o interesse é nosso em progredir. Em segundo lugar, é preciso não esquecer que, exatamente por estarmos alistados nas tropas do bem, nos colocamos ostensivamente em oposição às forças negativas que desejam e lutam pelo retardamento do progresso espiritual. Tornamo-nos, assim, alvos de ataques mais violentos daqueles que ainda não descobriram que só caminhamos para frente depois que a luz da verdade, do amor e da caridade vai alumiando as nossas veredas.

Sem a compreensão desse mecanismo, as coisas se tornam muito obscuras ao nosso entendimento. Como é que vamos entender o fato de que, justamente quando queremos praticar o bem e evolver espiritualmente, começamos a sofrer tantos reveses, a enfrentar tantas dificuldades e a encontrar em nós mesmos tantas fraquezas?

Ainda há pouco, procurou-me uma digna senhora, mãe e esposa, em estado de aflição e desespero, diante da desorientação do seu esposo, companheiro de tantos anos. Pedi-lhe que tivesse calma, que procurasse, primeiro de tudo, tranqüilizar o seu espírito, porque em estado de crise emocional não podemos pensar direito e, muito menos, resolver situações difíceis. Que pedisse a ajuda de Deus, qualquer que fosse a sua crença. Ela me respondeu que pedia sempre e ardentemente, mas que Deus não a atendia: as coisas iam sempre de mal a pior… Tentei explicar que nem sempre aquilo que pedimos é o que mais convém ao nosso espírito. Além do mais, sendo Deus justo, como é, não vai permitir que sofram aqueles que nada devem. Seria ela capaz de punir um filho por uma falta que não cometeu?

É muito difícil, porém, fazer entende essa doutrina moral a quem ainda não tem o mínimo conhecimento das leis do espírito, especialmente a quem não admite a lei da reencarnação. Sabe-se lá dos compromissos cármicos que trazemos de passadas vidas? Se fossem atendidas as nossas preces da maneira que desejamos, ficaríamos livres do sofrimento moral e até físico que tanto nos afligem, mas estaríamos em pleno regime de irresponsabilidade, de estagnação espiritual. Isso não interessa ao nosso espírito e nem mesmo é possível, dentro de um universo em contínuo progresso e movimento. Infelizmente, para muitos de nós, o aguilhão da dor é a única maneira de nos fazer andar para frente e reparar os erros do passado. Não que isso seja necessário, porque as leis do espírito contêm dispositivos que nos permitem caminhar sem sofrimentos e sem revolta, mas, que se há de fazer se às vezes preferimos os atalhos cheios de pedras e espinhos, em vez de estrada plana e luminosa?

Assim, sofremos quase todos. Uns porque ainda não aprenderam as primeiras lições da verdade e investem cegamente na direção da dor; outros porque, embora já tenham começado a aprender as suas lições, se expõem às vibrações negativas dos que ainda têm a tola pretensão de obstruir a marcha do espírito humano.

Muito cuidado, pois, aqueles que se acham em trabalho de renovação moral. Nunca é demais repetir a bimilenar advertência do Mestre: Orai e Vigiai. Essa observação é particularmente válida para aqueles cujo trabalho na divulgação do ideal espírita é recebido com palavras de aplauso e apreciação dos demais irmãos e companheiros trabalhadores. Diante do aplauso que o nosso trabalho recebe, a velha vaidade, que ainda não morreu em nós, pode, mais uma vez, levantar a cabeça recoberta pelo ouro falso com que compramos, no passado, as lágrimas de hoje. Diante das palmas e dos cumprimentos que recebemos, aqui e ali, podemos achar que Deus precisa de nós para a sua obra criadora, que Jesus depende de nós para fazer progredir a Humanidade. Nada mais falso e ilusório. Se estamos trabalhando para o bem, pertencemos à grande equipe de amor que há de prevalecer um dia sobre toda a Terra, mas nosso trabalho, por mais importante que pareça aos olhos da nossa vaidade, é apenas um grãozinho invisível de areia nas montanhas altaneiras da obra divina. E que diferença faz um grão de areia a mais ou a menos nessa cordilheira de Himalaias? No entanto, mesmo aqui é preciso um cuidado infinito e muito equilíbrio para não recairmos no outro extremo e, por julgar a nossa contribuição demasiado inexpressiva, abandonar de uma vez o trabalho da seara. Muito curioso isto, porque o grão de areia nada é diante da montanha, mas sem ele não existiria a montanha.

Precisamos, pois de uma exata consciência da nossa tarefa, sem esquecer jamais que ela é mais importante para nós do que para as forças superiores que ordenaram e que sustêm o Universo. Assim encarada, a nossa tarefa é, ao mesmo tempo, muito relevante, muito importante e bastante modesta. O mesmo vento que sopra da montanha milhões de grãos de pós, nela deposita outros milhões, enquanto abrimos e fechamos os nossos olhos.

Orando e vigiando, teremos sempre presente no espírito a grandeza da nossa insignificância e a insignificância da nossa grandeza. Somos grandes pela centelha divina que brilha no fundo de nós; somos nada diante d´Aquele que colocou em nós a eterna fagulha.

João Marcus (Pseudônimo de Hermínio Corrêa de Miranda)

Extraído do Livro – Candeias da Noite Escura – FEB

Colaboração recebida do irmão Julian Probst em 08/08/2013