Oswaldo Cruz – Um sonho que se realizou – 54 Anos

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Por Carlos da Gama Campos.

Para os espíritas, especialmente os vinculados ao Grupo da Fraternidade Espírita Oswaldo Cruz, Outubro é sempre um mês em que somos convidados a refletir sobre dois eventos de grande significação para nós, que acreditamos na existência, sobrevivência e comunicabilidade dos Espíritos.

Foi no dia 3 de Outubro de 1804 que nasceu, em Lião, na França, o Sr. Hyppolyte Léon Denizard Rivail, mundialmente conhecido pelo pseudônimo de Allan Kardec. E foi no dia 26 de Outubro de 1959 que, em reunião de materialização em Belo Horizonte, o Grupo da Fraternidade Oswaldo Cruz foi fundado pela Espiritualidade.

O tempo passou, a história não escrita da nossa Casa Espírita ficou restrita a poucas pessoas, e algumas recordações preciosas precisam ser guardadas para que permaneçam imorredouramente na memória dos mais jovens.

Mas, para sermos justos, não só os fatos, mas também alguns nomes precisam ser lembrados: Daniel Pinto dos Santos, Maria de Lourdes Rocha, Aldir Antunes Rabello e Manoelina Gonçalves Pires compunham a primeira Diretoria. E o Primeiro Conselho Superior foi composto por Hélio Muller, Sylvio José Karl e Moysés Pereira Rabello.

As atividades caminharam com as dificuldades naturais de toda Instituição Espírita iniciante. Vamos registrar então, por falta de espaço, apenas alguns fatos marcantes na vida do Grupo. As reuniões começaram na UMEP e depois na residência de um dos fundadores do Grupo.

Como afirmamos acima, o Grupo Oswaldo Cruz foi fundado em 26 de Outubro de 1959. Por volta de Setembro de 1961, portanto com apenas dois anos de existência, os componentes do Grupo passaram a se reunir em uma sala dentro do Cinema Esperanto.

O Cinema Esperanto era de propriedade do Sr. José Varanda, espírita convicto, que foi um grande benemérito do Grupo Oswaldo Cruz. O Cinema Esperanto ficava na Rua Paulo Barbosa, 296, onde hoje existe um edifício de apartamentos, com lojas no térreo.

Mas, entrar na sala e assistir às reuniões era um procedimento realmente singular e inusitado… Como a sala cedida ao Grupo ficava dentro do Cinema, e as reuniões eram simultâneas, o ingresso se fazia pela bilheteria da instituição, sem pagar nada, obviamente. Bastava informar que queríamos participar de qualquer das reuniões do Grupo que o porteiro gentilmente abria a passagem… Dentro da sala, às vezes o orador tinha sua voz abafada pelo som de tiros do filme em exibição, razão pela qual as reuniões de efeitos físicos eram realizadas em outro local…

Uma data ficou marcada em nossas mentes: 18 de janeiro de 1969. Chico Xavier entrou inesperadamente, tomou passe e até fez a prece final! Concluída a reunião, depois de algum tempo de conversa, Chico tomou conhecimento de que o Grupo pretendia ter sua sede própria. Chico estimulou a todos, mas destacou, delicadamente como era de seu costume, que deveríamos “levar para a nova sede o ambiente que existia naquela pequena sala”.

O tempo correu célere, e em 1973 um grande terreno e uma modesta e antiga casa foram adquiridos onde hoje se situa a sede do Grupo. Claro que o pagamento foi dividido ao longo de muitos meses. Mas, noventa dias após assinarmos o compromisso de compra, a Livraria Espírita Oswaldo Cruz pegou fogo! Foi um duro teste, mas, esperançosos e com vontade firme, os componentes do Grupo aceitaram o desafio!

A casa adquirida pelo Grupo necessitava de reforma, que foram realizadas o mais rápido possível, e assim, em 15 de junho de 1974, foi inaugurada a sede social, modesta, mas profundamente acolhedora. O ambiente lembrava em muito a vibração existente na sala do Cinema Esperanto.

A certeza de que a divulgação da Doutrina Espírita deveria ser nossa principal preocupação fez com que a luta pela recuperação da Livraria Espírita Oswaldo Cruz se tornasse objetivo comum. Enquanto as obras para recuperação da Livraria avançavam, uma Banca foi colocada às portas do cinema Esperanto, ainda uma vez por oferta do Sr. José Varanda.

Com muita luta e determinação a Livraria foi reinaugurada no dia 24 de maio de 1975.

Como o Grupo crescia rapidamente, e o Espiritismo começava a se implantar com o respeito que hoje tem – e merece –, a necessidade de uma sede maior logo se implantou e se concretizou com uma obra de grande vulto. Assim, no dia 26 de Outubro de 1980 a nova Sede Social foi inaugurada, com a presença de muitos convidados, entre eles João Cabete.

Preocupado sempre com a divulgação da Doutrina, diversas vezes o Grupo Oswaldo Cruz trouxe a Petrópolis o internacionalmente conhecido Divaldo Pereira Franco, excepcional orador e médium baiano.

Como preito de gratidão não podemos deixar de citar a atuação de alguns de seus membros, hoje na espiritualidade: Alcione Ferreira Passos, Daniel Pinto dos Santos, Alcino José Franco, Jacyntho Cardoso Machado, entre outros, que já retornaram ao Mundo Espiritual.

Que as futuras gerações saibam honrar a memória daqueles que criaram materialmente o Grupo da Fraternidade Espírita Oswaldo Cruz, mantendo o lema seguido pelo seu Patrono: “Não esmorecer para não desmerecer”.

Calos da Gama Campos.

Veja a galeria de fotos em comemoração dos 54 anos do grupo: http://www.gfeoswaldocruz.com.br/wordpress/?cat=4

Bichinhos – Humberto de Campos

Bichinhos - Humberto de CamposDeclara-se você esgotado pelos conflitos internos da instituição espírita de que se fez devotado servidor, e revela-se faminto de uma solução para os problemas que lhe atormentam a antiga casa de fé.

Lutas entre companheiros e hostilidades constantes minaram o altar do templo onde, muitas vezes, você observou a manifestação da Providencia Divina, através de abnegados mensageiros da luz, e hoje, ao invés da fraternidade e da confiança, do entusiasmo e da alegria, imperam no santuário a discórdia e a dúvida, o desânimo e a tristeza.

Pede-nos você um esclarecimento, entretanto, a propósito do assunto, lembro-me de velha e valorosa árvore que conheci em minha primeira infância. Verde e forte, assemelhava-se a uma catedral na obra prodigiosa da Natureza. Cheia de ninhos, era o palácio predileto das aves canoras que, em suas frondes, trinavam felizes. Tropeiros exaustos encontravam à sua sombra, que protegia cristalina fonte, o reconforto e a paz, o repouso e o abrigo. Lenhadores, de quando em quando, furtavam-lhe pedaços vivos e peregrinos ingratos roubavam-lhe ramos preciosos para utilidades diversas. Tempestades terríveis caíam sobre ela, anualmente, oprimindo-a e dilacerando-a, mas parecia refazer-se, sempre mais bela. Coriscos alcançaram-na em muitas ocasiões, mas a árvore robusta ressurgia, sublime. Ventanias furiosas, periodicamente, inclinavam-lhe a copa, decepando-lhe galhos vigorosos; a canícula demorada impunha-lhe pavorosa sede e a enxurrada costumava rodeá-la de pesados detritos… O tronco, porém, sempre adornado de milhares e milhares de folhas seivosas, parecia inabalável e invencível.

Um dia, contudo, alguns bichinhos começaram a penetrá-la de modo imperceptível.

Ninguém lhes conferiria qualquer significação.

Microscópicos, incolores, quase intangíveis, que mal poderiam trazer ao gigante do solo?

Viajores e servos do campo não lhes identificaram a presença.

Mas os bichinhos multiplicaram-se, indefinidamente, invadiram as raízes e ganharam o coração da árvore vigorosa, devorando-o, pouco a pouco…

E o vegetal que superara as ameaças do céu e as tentações da Terra, em reduzido tempo, triste e emurchecido, transformava-se em lenho seco, destinado ao fogo.

Assim também, meu caro, são muitas das associações respeitáveis, quando não acautelam contra os perigos, aparentemente sem importância. São admiráveis na caridade e na resistência aos golpes do exterior. Suportam, com heroísmo e serenidade, estranhas provações e contundentes pedradas. Afrontam a calúnia e a maldade, a perseguição e o menosprezo público, dentro de inalterável paciência e indefinível força moral…

Visitadas, entretanto, pelos vermes invisíveis da inveja ou do ciúme, da incompreensão ou da suspeita, depressa se perturbam e se desmantelam, incapazes de reconhecer que os melindres pessoais são parasitos destruidores das melhores organizações do espírito.

Quando o “disse-me-disse” invade uma instituição, o demônio da intriga se incumbe de toldar a água viva do entendimento e da harmonia, aniquilando todas as sementes divinas do trabalho digno e do aperfeiçoamento espiritual.

Que fazer? – pergunta você assombrado.

Dentro de minha nova condição, apenas conheço um remédio: nossa adaptação individual e coletiva à prática real do Evangelho do Cristo.

Contra os corrosivos bichinhos do egoísmo degradante, usemos os antissépticos da Boa Nova.

“- Se alguém quiser alcançar comigo a luz divina da ressurreição – disse o senhor -, negue a si mesmo, tome a cruz dos próprios deveres, cada dia, e siga os meus passos.”

Quando pudermos realizar essa caminhada, com esquecimento de nossas carunchosas suscetibilidades, estaremos fora do alcance dos sinistros micróbios da treva, imunizados e tranquilos em nosso próprio coração.

Cartas e Crônicas – Humberto de Campos
Psicografado por Francisco C.Xavier